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Queijo brasileiro tem futuro brilhante´, disse Jason Hinds, especialista em queijos


Jason Hinds estava animado ao terminar a primeira rodada de provas como jurado do segundo Mundial do Queijo, que aconteceu em São Paulo. Mesmo sem poder chamar os queijos que acabava de conhecer pelos nomes, arriscava alguns comentários.

"Eu sabia da lenda do queijo brasileiro, já tinha ouvido falar do trabalho de vários produtores artesanais e o que vejo aqui é qualidade e diversidade. Mas vamos conversar mais daqui a três ou quatro dias? Vou procurar provar o máximo que puder e falar sobre o queijo que vocês fazem com um pouco mais de propriedade", sugeriu o diretor comercial da chique Neal's Yard Dairy, produtora e revendedora de queijos artesanais em Londres.

"Decidi trabalhar com queijos e meus amigos disseram que eu tinha endoidado. Já eram produzidos ótimos queijos no Reino Unido da época, mas o senso comum continuava acreditando que bom mesmo era aquele que vinha do exterior, especialmente da França. Vi a oportunidade de desenvolver esse mercado, mostrar ao mundo o potencial dos nossos produtos", diz Hinds.

Em 1992, Jason encontrou emprego na Neal's Yard Dairy, no bairro de Covent Garden, famoso pelo extenso varejo de alimentos e pelo clássico mercadão.

Resgate do queijo inglês

Ele conta que, nos primórdios pré-industriais, os fazendeiros ingleses produziam queijo para aproveitar o leite que não conseguiam vender. Era fermentá-lo ou derramá-lo. Com o desenvolvimento de meios de transporte mais rápidos, a atividade queijeira foi minguando, pois a produção de leite passou a ser escoada mais facilmente para os grandes centros, com menos sobra de matéria-prima.

Quando comecei nesse mercado, a Inglaterra estava dominada pela grande indústria, como aconteceu em quase todo o ocidente depois da Segunda Guerra Mundial. Eram queijos tratados mais como commodities.

O queijo Red Leicester, de massa alaranjada e sabor intenso, era um dos estilos que havia desaparecido. Jason convenceu alguns produtores a reviver a receita e colocá-la de volta na roda. "Foi um momento de renascimento e também de nascimento. Ao mesmo tempo em que víamos tradições serem recuperadas, também víamos novos produtores ousando e criando receitas e estilos modernos", conta.

"As pessoas começaram a entender que podiam provar excelentes queijos feitos na Inglaterra ou na Escócia, que tínhamos tradição, que os melhores produtos não vinham necessariamente da França ou da Suíça".

O Brasil reconhecido

Hoje o país que mais importa os queijos da Neal's Yard Dairy são os Estados Unidos. Em segundo lugar, justamente a França, conta Jason, em uma segunda conversa, após ter passado alguns dias no Brasil e voltado à Inglaterra com a certeza de que podemos ganhar o mesmo tipo de reconhecimento.

O queijo brasileiro tem um futuro brilhante. Há produtores que fazem um trabalho inacreditável, dinâmico e inovador. Vocês têm um cenário formidável, realmente maravilhoso e inspirador", disse.

As informações são do UOL.

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