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Laticínio Xandô, da Fazenda Colorado, lança leite A2A2


O Laticínio Xandô, da Fazenda Colorado, a maior do país na atividade, lançou em dezembro o leite integral A2. Com o movimento, a indústria consolida o plano de “brigar” pelo consumidor que sente desconforto abdominal ao ingerir a bebida, em um nicho de negócios ainda incipiente no país e avaliado, por ora, em R$ 100 milhões. Apesar de representar menos de 1% do mercado brasileiro de leite, há potencial para crescimento, acreditam produtores.

O produto tem como origem as vacas a2a2, com genética diferente da tradicional, de animais a1a1. A diferença para o leite tradicional é a proteína beta-caseína A2, a mesma encontrada no leite materno e digerida mais facilmente pelo corpo humano.

“É importante salientar, no entanto, que a novidade tem lactose, e não atende aos intolerantes a ela”, diz Alexandre Wolff, gerente geral da Xandô. Estudos internacionais e nacionais apontam que a maior parte das queixas de desconforto tem relação com digestão incompleta da proteína, e não necessariamente se trata de intolerância à lactose, diz o vice-presidente da Abraleite e também produtor, Roberto Jank Jr.

Evidentemente, é preciso que a pessoa consulte um médico, mas pesquisas indicam que, de um universo de 30% ou 40% das pessoas que dizem sentir desconforto, 3% ou 4% têm problemas de intolerância à lactose. “As proporções referem-se a dados de pesquisas nacionais e internacionais. Há um padrão encontrado”, acrescenta Jank Jr.

A família Jank, proprietária da Agrindus, quinta maior produtora do segmento no país, trouxe a novidade para o país e comercializa o Letti A2 já há três anos. Assim como outros produtores que já atuam no nicho – são poucos por enquanto –, a Xandô vinha preparando o rebanho e hoje cria as vacas a2a2 separadamente das demais.

Embora houvesse sinal verde do Ministério da Agricultura para a comercialização desse leite no país desde 2018, faltava que a Anvisa validasse os estudos que comprovam a digestão mais fácil – o que ocorreu em 25 de outubro. Isso poderá dar impulso ao nicho, porque o posicionamento da agência permite que os laticínios incluam a informação de forma explícita nos rótulos.

Em países como os Estados Unidos e a China, grandes consumidores desse leite, os rótulos levam a frase “digestão mais fácil”, afirma Jank Jr. Até agora, os produtores podiam colocar um selo avisando que o produto era de vacas a2a2 e recorriam ferramentas de comunicação próprias, como sites e redes sociais, para explicar a funcionalidade.

Em 2020, o mercado global de leite A2 foi avaliado em US$ 8 bilhões, com projeção “consistente”, diz o empresário, de chegar a US$ 25 bilhões até o fim desta década, segundo a empresa canadense Precedence Research. Mesmo em um ano de retração para os lácteos, a Xandô, que bateu o próprio recorde de captação de leite em agosto – 100 mil quilos por dia – acredita que manter a inovação contribui para os negócios. Wolff diz que as vendas de lácteos cresceram 3% e a de sucos 15% sobre 2020, sem informar os volume.

As informações são do Valor Econônico e da Xandô, adaptadas pela equipe MilkPoint.

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