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Lactalis ultrapassa Nestlé e assume liderança global em lácteos


A francesa Lactalis ultrapassou a suíça Nestlé e passou a ser a maior empresa de laticínios do mundo, segundo a nova edição do relatório anual "Global Dairy Top 20", que o Rabobank divulgou. A Lactalis, uma empresa de capital fechado, faturou US$ 23 bilhões (20,2 bilhões de euros) em 2020 e a Nestlé, US$ 20,8 bilhões (18,2 bilhões de euros). De acordo com os analistas Mary Ledman e Richard Scheper, a companhia francesa vem ganhando espaço ao longo de duas décadas, impulsionada por acordos de fusões e aquisições.


A estratégia contribuiu para um crescimento de 370% em receita desde o ano 2000, quando a companhia faturava US$ 4,8 bilhões. Com essa receita, hoje, ela não apareceria sequer entre as 20 maiores do ranking.


Desde 2010, a Lactalis adicionou ao menos 60 novos negócios ao seu portfólio e expandiu sua atuação no Oriente Médio, África e Américas. Há aquisições em andamento, entre elas o negócio de queijos Kraft Heinz e o Group Bel’s Royal. Somado, o faturamento de parte dos negócios pendentes chega a cerca de US$ 2,5 bilhões, o que "ampliará a liderança da empresa no ranking do próximo ano", dizem os analistas.


De acordo com o banco, a perda de liderança da Nestlé começou a se desenhar em 2019, quando o grupo suíço vendeu seu negócio de sorvetes nos Estados Unidos para a Froneri, o que reduziu a diferença entre empresa e a Lactalis para US$ 1,1 bilhão. Ainda assim, a receita da Nestlé em 2020 representou um aumento de 60% em comparação com o início dos anos 2000.


A cooperativa de laticínios norte-americana Dairy Farmers of America (DFA) apareceu em terceiro lugar no ranking, com receita de US$ 19 bilhões (16,6 bilhões de euros) no ano passado. A DFA passou a ocupar o terceiro lugar no ranking em 2019, quando ultrapassou a também francesa Danone após a compra da Dean Foods.


Danone e a chinesa Yili ficaram em quarto e quinto lugares, com vendas de US$ 17,3 bilhões (15,2 bilhões de euros) e US$ 13,8 bilhões (12,1 bilhões de euros) no ano passado, respectivamente.


As vendas totais das 20 maiores companhias do ranking ficaram relativamente estáveis no ano passado. O faturamento combinado recuou apenas 0,1% em dólares e 1,9% em euros.


Segundo os analistas, o ritmo das fusões e aquisições desacelerou-se no setor em 2020, quando foram anunciados cerca de 80 negócios; no ano anterior, houve 105 negócios. Em 2021, por ora, a atividade aumentou, com mais de 50 negócios anunciados até o meio do ano.


Com a pandemia, os laticínios enfrentaram uma lista de desafios, em 2020, que incluíram desde interrupções nos canais de varejo e serviços de alimentação, como custos voláteis de matéria-prima, a mudanças no comportamento de compra do consumidor e desafios logísticos.


“De modo geral, o setor de laticínios saiu-se melhor do que muitos temiam no início da pandemia, demonstrando a resiliência do setor”, escreveram Ledman e Sheper.


Segundo o relatório, em 2020, o consumo de cereais matinais com leite cresceu, interrompendo o declínio nas vendas da bebida pela primeira vez em vários anos. Com as restrições para o funcionamento de bares e restaurantes durante a pandemia, as massas fizeram ainda mais sucesso nas cozinhas das residências, e o consumo de queijos e creme de leite subiu.


Sustentabilidade - A preocupação dos consumidores com os desafios ambientais relacionados à produção de alimentos aumentou ao longo do último ano, afirma o banco. Segundo uma pesquisa do Boston Consulting Group (BCG) feita em 2020 com mais de 3 mil pessoas em oito países, 70% dos entrevistados disseram estar mais cientes agora sobre os efeitos da atividade humana sobre o clima – e que a degradação do meio ambiente, por sua vez, ameaça as pessoas.


Atentas a isso, muitas empresas que fazem parte do "Global Dairy Top 20" assumiram compromissos de sustentabilidade para 2030 e de neutralidade de carbono para 2050, diz o Rabobank.


As informações são do Valor Econômico.

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