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Higiene em laticínios: como reduzir custos sem afetar a qualidade


Nas operações industriais e também nas cotidianas, temos uma ideia de que, para termos uma boa higienização (limpeza + sanitização), quanto mais, melhor. Ou seja, quanto mais espuma, produto e tempo de limpeza, aparentemente teremos uma melhor higienização, e isso está bem equivocado.

Um processo de higienização, seja o Clean in Plac (CIP) ou o Clean out Place (COP), requer quatro pilares para realmente garantirmos uma higiene adequada, sendo eles: tempo, temperatura, ação mecânica (vazão e fluxo de limpeza) e agentes químicos (concentração), os chamados quatro fatores do processo de higienização ou Circulo de Sinner.

Na falha de um desses, certamente não teremos uma boa eficiência do processo de higienização, pois possivelmente teremos erros, que não removerão as sujidades, as quais futuramente serão pontos "mortos/sombras". Desse modo, consequentemente, forçaremos outro pilar do Ciclo de Sinner para compensar a falha.

Muitas vezes quando não se consegue uma boa vazão em um CIP, alteramos o tempo e a concentração dos produtos, o que acaba elevando os custos com a higienização. Listaremos aqui algumas boas práticas de higienização em laticínios, como forma de reduzir os gastos e, ao mesmo tempo, elevar a qualidade dos processos e produtos.

Equipe qualificada

Um dos pontos mais importante para obter os melhores resultados na questão de higienização e reduzir custos é possuir pessoas em seu time que conheçam profundamente o processo de higienização e os produtos a serem utilizados. Além disso, é importante o treinamento específico para todos os níveis operacionais e de gestão no conceito de higienização.


Bons fornecedores de produtos de limpeza

Atuar com empresas que além de produtos de higienização, ofereçam serviços, os quais auxiliam nos processos de melhorias; que conheçam novas tecnologias para utilização de produtos e mudanças de processos é fundamental.

Ter um bom parceiro para fornecer produtos e serviço é de extrema importância. Existem empresas que atuam fortemente neste assunto, fazem parcerias e além dos processos, atuando também na redução de custos, seja por meio do próprio produto químico ou pela redução de água, aumento de produtividade e redução energética.

Utilizar os produtos de limpeza certos

Escolher os melhores produtos para cada etapa do seu processo é primordial. Geralmente, pensamos apenas em alcalino (soda) e ácido, pois é o básico e, teoricamente o essencial, bem como geralmente são mais baratos para uso em laticínios. Contudo, não nos damos conta que a longo prazo o uso destes produtos degradam as vedações, desgastam equipamentos e necessitam de um consumo maior das utilidades (água e vapor).

Existem vários produtos formulados no mercado que nos possibilitam atuar em tempo menor, com menores concentrações, temperaturas, enxágues e, consequentemente, resultam em uma redução drástica nos custos da empresa e que não trazem desgastes aos equipamentos/vedações.

Dica: pesquisem e estudem os produtos formulados e analisem as grandes possibilidades de melhoria na qualidade do processo e redução de custos!

Conhecer a planta

Mapear todos os circuitos, objetos, linhas e equipamentos que necessitam de higienização para criar um verdadeiro book de informações, aprofundando em todos os detalhes, definindo cada necessidade dos elementos que mencionamos acima que deverá ser usado para cada objeto listado.

Por exemplo, pergunte-se: uma queijomatic de 12 000 litros precisa de quanto tempo, vazão, temperatura e concentração para um bom CIP? Será que são os mesmos parâmetros de um silo de 30.000 litros? Certamente, não. Por isso, nos estudos você deverá prever cada um destes itens.

Validar o processo

Após o conhecimento de todos os circuitos e determinação dos 4T’s de cada objeto, necessitamos validar, ou seja, comprovar que tudo o que foi desenhado realmente torna o processo higienizado e seguro, bem como livre de qualquer contaminação microbiológica e/ou química. Após isso, é necessário padronizar e treinar a equipe na execução.

Esta validação deve ser realizada por meio de análises microbiológicas rápidas (ATP) e longas swab/água de enxágue, sendo também importante inspecionar visualmente com auxílio de aparelhos endoscópio e lanternas de luz UV as sujidades que possam estar presentes.


Melhorar o design sanitário

Avaliar a engenharia sanitária dos equipamentos é de extrema importância. Muitas vezes, temos equipamentos antigos e sem conceito sanitário, que possuem pontos mortos ou as chamadas sombras de limpeza, nos quais o CIP ou COP não conseguem alcançar.

No CIP, quando os sprays ball (cabeçotes e/ou dispersores que asperge as soluções de dentro do equipamento) estão mal dimensionados, entupidos por sujidades ou devido à baixa pressão, o leque não é formado. Nestes casos, temos a formação de um chuveiro e/ou uma alta pressão que faz uma névoa.

No caso do COP, as sombras acontecem por cantos em ângulos que não permitem que os utensílios de limpeza cheguem até eles, criando zonas que provavelmente terão biofilmes. Por isso, senão conseguirmos corrigir estes detalhes no equipamento, teremos que substituí-lo ou criarmos novas soluções, como desmontá-lo para uma limpeza mais detalhada e/ou o deixando em imersão para garantir a eficácia dos processos.

Monitorar o processo

Criar o monitoramento dos processos, seja eles diários para os 4 pilares do Ciclo de Sinner (concentração, ação mecânica, tempo e temperatura); quinzenais ou mensais para as análises microbiológicas (swab e água de enxágue) e inspeções visuais (endoscopias, luz UV e desmontar equipamentos) sempre que necessário de forma periódica.

É importante não parar jamais de monitorar o processo, pois estes indicadores podem mostrar que algo está fora de rota. Desse modo, de forma rápida as não conformidades podem ser tratadas para evitar desperdícios com produtos químicos e grandes contaminações.

Já existem no mercado empresas que dispõem de ferramentas de diagnósticos digitais, que avisam quando algum parâmetro diverge das especificações. A indústria 4.0 vem impulsionando novas tecnologias que auxiliam não apenas no monitoramento, mas também ajudam a entregar resultados sustentáveis, melhorar o desempenho e reduzir o custo total da operação.

Melhorar sempre

Por último, e não menos importante, a melhoria contínua, visto que a cada ciclo sempre teremos que validar os processos, pois surgem no mercado novos produtos, conceitos, equipamentos e oportunidades. Jamais deixe de acompanhar seu processo de limpeza, se tudo vai bem, certamente você terá menos dor de cabeça em seu laticínio.

Para finalizar, fecho o artigo com a seguinte frase: "não somente podemos ter uma redução de custos no processo de higienização com as dicas acima, como também podemos melhorar significativamente a qualidade do nosso processo e dos nossos produtos, em paralelo, para isso temos que focar nos detalhes do Programa de Higienização da indústria." E aí? Como está seu programa de higienização?

Fonte: Milk Point

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