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Danone se reorganiza e prevê aumento no faturamento


Uma das maiores fabricantes de produtos derivados de leite do mundo, a francesa Danone está reestruturando sua operação globalmente, incluindo o Brasil.


Na pandemia, a operação no mundo sofreu impactos, perdeu espaço para concorrentes e anunciou demissões. Em março deste ano, o então presidente global Emmanuel Faber, em meio a pressão de fundos ativistas, deixou a empresa. Há pouco menos de dois meses, a Danone passou a ser comandada por Antoine de SaintAffrique.


No Brasil, a empresa está unificando suas três divisões de negócios (produtos lácteos e de base vegetal, águas e nutrição especializada) em uma. Edson Higo, que comandava a unidade Nutricia, assumiu a presidência da subsidiária. Os outros dois executivos saíram.


“Passamos a ter uma face única como empresa para todos os ‘stakeholders’. O consumidor também vai sentir essa mudança”, diz Higo, que chegou à Danone em 2009. Um exemplo é o uso das relações comerciais das outras unidades com o varejo farmacêutico para expandir a presença de iogurtes nesses canais. “Já vendemos os iogurtes YoPro em algumas farmácias”, conta.

No Brasil, a Danone segue no topo do mercado de iogurtes, com 34,1% de participação, segundo a Euromonitor. A categoria, no entanto, vive um momento de recuo. A consultoria projeta que as vendas da categoria terminarão 2021 2,8% menores do que em 2020.


“Seguir com a transformação na operação no Brasil mostra que a empresa aposta no país”, diz o executivo, argumentando que desafios macroeconômicos, como inflação alta e desemprego sempre existiram. Higo conta que um impacto já sentido foi a migração dos consumidores para formatos mais econômicos, como os iogurtes de garrafas de mais de um litro.

A empresa também sentiu os efeitos da inflação dos insumos: o preço do leite subiu 25% em 2020 e o plástico das embalagens, 30%. “Buscamos uma composição de ajuste de preços para não ter grande impacto no volume e continuar na mesa dos consumidores.”


A projeção dele é que as vendas da operação brasileira cresçam entre 5% e 10% neste ano e que esse ritmo de crescimento anual se repita até 2025. Globalmente, as vendas avançaram 6% no terceiro trimestre, para € 6,16 bilhões.


Para esse crescimento futuro se concretizar, a companhia, “agora mais simples e ágil”, segundo o executivo, está disposta a acelerar novos negócios. “Um dos nossos princípios básicos é inovarmos para liderar. Assim, triplicamos nossos investimentos em inovação nos últimos dois anos.” Entre as apostas estão desenvolvimento de categorias, abertura de novos canais de venda e a oferta de serviços, como uma assinatura de produtos de nutrição especializada para pacientes que recebem alta em hospitais, por exemplo.


Nos canais, o desafio é ampliar a operação do site próprio, o Mundo Danone. Inicialmente apenas com produtos de nutrição médica, a plataforma foi ganhando mais produtos do portfólio, mas a ambição é conseguir vender também os iogurtes da marca, que dependem de refrigeração para ser transportados. “Não sei se o comércio on-line vai ter a mesma intensidade de crescimento de agora, mas vai continuar a crescer.”


Nas novas categorias há pelo menos duas frentes: o desenvolvimento de mais produtos com base de proteína vegetal e o desenvolvimento de produtos de longevidade ativa, que trazem ingredientes e fórmulas funcionais. “A população está envelhecendo, mas bem, ficando mais ativa. Nós sabemos, por exemplo, que após os 40 anos pessoas perdem mais massa magra, então queremos desenvolver produtos pensando nessa necessidade”, explica.


Para desenvolver os novos produtos, o caminho são parcerias com startups e universidades, diz Higo. A empresa que mantém há dois anos programas com startups, colocou no mercado a versão vegana de seu suplemento alimentar Fortfit, feito em parceria com uma empresa do Sul do país. “A Danone historicamente cresce por movimento inorgânico e eu pessoalmente acredito muito em estimular o ecossistema. Nós temos um papel muito importante socialmente em ajudar startups e o mundo acadêmico a se desenvolverem.”


As informações são do Valor Econômico, adaptadas pela equipe MilkPoint.


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