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Ceará negocia com Piracanjuba e Tirolez para trazer novas fábricas de laticínios


Na esteira da escalada do preço do leite e derivados, o Ceará se articula para atrair novas indústrias de leite e ampliar a competitividade do produto no Estado.

Secretaria do Desenvolvimento Econômico e Trabalho (Sedet) e Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Ceará (Faec) já foram até fábricas em Minas Gerais e na Bahia apresentar os incentivos que podem ser ofertados e tem na agenda encontros com a Piracanjuba e Tirolez.

A chegada de uma nova indústria de laticínios ao Ceará seria positiva sobretudo para o produtor rural, que hoje vende o leite apenas para uma empresa que compra cerca de metade do leite e a outra metade é utilizada pelo próprio produtor na fabricação de derivados, como queijos.

“Nós temos aqui apenas uma grande indústria, que absorve metade da produção e dita o preço do leite. Atraindo uma nova empresa láctea a gente teria essa competição e uma melhoria tanto para o produtor rural como para o consumidor”, diz Silvio Carlos Ribeiro, secretário executivo de Agronegócio da Sedet.

EFEITOS PARA O CONSUMIDOR

O benefício para o consumidor viria na forma de redução do custo logístico de entrada dos produtos, o que se refletiria nas gôndolas dos supermercados. “Certamente por ser produzido aqui haveria um impacto logístico menor, mas a gente vê que o ganho maior seria para o produtor rural”, reforça Silvio Carlos.

Desde o início de 2022, o leite longa vida acumula inflação de 41% em Fortaleza.

Além das conversas com indústrias na Bahia, Minas Gerais e do interesse na Piracanjuba e Tirolez, também há conversas iniciais com cooperativas no Paraná. Além disso, o secretário executivo de Agronegócio da Sedet também fala em “incentivar os produtores a criar uma nova indústria de leite”. A expectativa é ter uma resposta positiva até o fim deste ano.

A reportagem entrou em contato com a Piracanjuba, que até então não deu retorno, e não conseguiu contato com a Tirolez até a publicação deste texto.

PRODUTOR RURAL

De acordo com Amílcar Silveira, presidente da Faec, hoje a indústria paga de R$ 2,60 a R$ 2,70 pelo litro do leite. “Os preços nas gôndolas do supermercado estão em quase R$ 8, os preços cresceram muito, mas sabemos que existe um movimento dos próprios supermercados para baixar”.

“Estamos procurando outras indústrias para instalação no Ceará para termos uma concorrência justa”, destaca o presidente da Faec.

De acordo com a pesquisa mais recente do gênero feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, de 2020, a produção cearense é de 8,70 milhões de litros.

Em valores, essa produção de leite do Estado corresponde a R$ 1,41 bilhão. O Ceará é o terceiro maior produtor de leite do Nordeste, atrás da Bahia (R$ 1,65 bilhão) e Pernambuco (R$ 1,67 bilhão). No Brasil, Minas Gerais é o principal estado produtor, com R$ 15,9 bilhões.

A produção de leite no Estado (em R$) é liderada por Morada Nova, com R$ 123,5 milhões.

Atualmente, todo o Brasil lida com a problemática dos elevados preços do leite e de seus derivados, como queijos e iogurtes. A explicação está na elevação dos custos de produção, com destaque para o encarecimento de commodities agrícolas como o milho e a soja em decorrência da guerra entre Rússia e Ucrânia.

Já existe, entretanto, uma expectativa de redução ou de pelo menos estabilização dos preços nos supermercados por causa da chegada da primavera, o que melhora a oferta da pastagem.

Segundo levantamento do Mercado Mineiro, apesar dos custos variados, o produto chegou a ter uma redução de até 18% comparado ao mês de julho.

Fonte: EdairyNews

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