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Ajustes equilibrados na propriedade podem interferir na produção


A atividade bovinocultura de leite depende de muitas variáveis para garantir resultados técnicos e econômicos satisfatórios que garantam a sustentabilidade e a viabilidade do negócio no médio e longo prazo. A gestão do negócio deve ser a constante preocupação do produtor. O ano de 2020 foi atípico. Inicia 2021, porém qualquer previsão ou decisão na cadeia ainda pode ser considerada antecipada.


O engenheiro agrônomo do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná Iapar – Emater Luiz Roberto Faganello explica que o ano de 2020 foi marcado por grandes variações em diversas frentes influenciando, diretamente, a cadeia produtiva do leite nas mais diversas bacias leiteiras no Brasil.


Ele pondera que do lado da demanda vem o impacto muito forte provocado pela pandemia do coronavírus, o qual resultou em mudanças de comportamento do consumidor. “Já no caso da produção, o clima foi o grande vilão ao qual provocou diminuição da oferta devido as irregularidades das chuvas e fortes secas, especialmente no Sul do país pela drástica redução na produção de pastagens”.


Faganello enfatiza que a combinação desses dois fatores ocasionou um desajuste entre oferta e demanda promovendo a elevação de preços ao produtor e ao consumidor devido o estoque reduzido na indústria. “O que no início da pandemia parecia haver grande redução do consumo de produtos lácteos, assim as indústrias diminuíram a compra de leite e orientou os produtores a reduzir a produção”.


No entanto ocorreu estabilidade sustentada pelo auxílio emergencial do Governo Federal a partir de maio de 2020. “Houve aumento do leite e derivados ao consumidor chegando a valores recordes e setembro, sustentando a valorização no campo e estimulando a oferta de leite, mas ocorreu de forma lenta”.


ORIENTAÇÕES – Para manter o bom desenvolvimento da atividade, os produtores podem seguir recomendações. Ele cita algumas situações. Uma delas é disponibilizar área de bom solo para garantir a produção da alimentação, ao qual deverá ser criteriosamente planejada para não faltar alimento no decorrer do ano. “Ajustes nutricionais equilibrados dependem de forrageiras de qualidade e em quantidade suficiente”.


Faganello orienta que o produtor não deve descuidar do meio ambiente. Ele explica que essa geração além das futuras depende dos recursos naturais para garantir o sustento de quem produz, além do fornecimento da produção de alimentos seguros aos consumidores.


Outra recomendação do engenheiro agrônomo está relacionada as instalações. Elas devem ser suficientes e minimamente adequadas ao sistema de produção adotado para garantir o conforto e a segurança aos animais, bem como aos trabalhadores, proporcionando a máxima eficiência da mão de obra, além de oferecer segurança as pessoas que delas dependem da árdua tarefa diária.


O trabalho, conforme Faganello, deve garantir a facilidade ao manejo dos animais e manejo da limpeza, fatores importantes para obter o máximo da qualidade para o leite. “O rebanho cuidadosamente produzido e selecionado na propriedade ao longo dos anos permite ganho genético ao qual evolui para maior produtividade. Nunca descuidar da sanidade dos animais e prevenir é sempre melhor que remediar”.


DECISÃO – A capacitação da mão de obra e o controle de todos os fatores de produção precisam ser vigiados de perto para não perder a “mão” nas inúmeras situações que se apresentam diariamente. “A melhor decisão adotada é aquela com consciência e domínio da situação, pois é mais difícil e oneroso corrigir imperfeições”, declara o profissional ao complementar que o gargalo da atividade leiteira, como em muitas outras, é controlar os gastos e ainda buscar lucro com o negócio.


Além disso, a alimentação eficiente do rebanho é o desafio, ao qual deve passar por rigoroso planejamento forrageiro, porque a interferência do clima dificulta manter o sistema em equilíbrio no decorrer do ano. “É muito prudente pensar em alimentos conservados, como a silagem de milho e o feno, garantindo a alimentação do rebanho por um ano ou mais. Na falta de chuva ocorre a diminuição da produção das pastagens e são os alimentos guardados que irão suprir essa deficiência sem prejudicar a produção ao longo do tempo”, destaca Faganello.


Ele pondera que a suplementação eficiente do rebanho está ligada ao volumoso de qualidade (pastagens, feno, pré-secado, silagens) e o concentrado ao qual tem a composição básica de grãos, principalmente, milho, soja e trigo, além dos minerais. “A maior receita da atividade está intimamente ligada ao uso eficiente da alimentação, principalmente no emprego adequado do concentrado. Tendo os custos de produção fortemente afetados pela alimentação do rebanho, principalmente pelo concentrado, ao qual pode representar entre 40 a 50% dos desembolsos, a preocupação nesse quesito é redobrada”.


Conforme Faganello, em tempos atuais com fortes altas das commodities, principalmente o milho e soja, puxados pela alta demanda mundial por esses grãos, além dos minerais, tornou o concentrado muito caro, com aumento de mais de 48% acumulado nos últimos 12 meses. “O leite pago ao produtor no mesmo período no Paraná foi reajustado em pouco mais de 20% em média, assim a conta não fecha, pois houve redução das margens para o setor primário”.


O engenheiro agrônomo orienta que como a região Oeste do Paraná é grande produtora de grãos (milho e soja), parte dessa produção deve ser guardada pelos produtores que tenham em seu sistema de produção o leite e as lavouras anuais. “Assim poderá ser mais competitivo no momento de formular o concentrado, pois o maior valor do custo de produção para o leite se encontra nesse quesito”.


Ele justifica que quando se vende toda a produção de grãos logo no início da safra, as vezes com preço muito inferior do que o praticado na entressafra, fica muito complicado comprar concentrado em tempos de alta, como está no momento. “Para ser competitivo em tempos difíceis, qualquer detalhe pode fazer grande diferença, inclusive ampliando o lucro por diminuir o custo de produção”.


Fonte Jornal do Oeste


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